terça-feira, 27 de outubro de 2015




A importância do trabalho em equipe
O psicólogo Abraham Maslow constatou que os indivíduos têm diversas necessidades, com diferentes forças. Sabemos que necessitamos de alimento, de abrigo, pagar nossas contas, de segurança no emprego, etc., mas também de nos relacionar com os outros e de sermos aceitos por eles. Sem isso nosso trabalho se torna enfadonho e sem graça. 


Trabalhar em equipe é mais divertido do que trabalhar individualmente, o que pode contribuir para melhorar nosso desempenho. 


Há... coisas na terra que são pequenas, mas extremamente sábias: as formigas, criaturas sem força, todavia no verão preparam a sua comida... os gafanhotos não tem rei, porém todos saem, e em bandos se repartem (Provérbios 30:24-27). 


Quando falamos em trabalho em equipe, logo nos lembramos das formigas e dos gafanhotos, seres tão pequenos, mas que dão um grande exemplo de união, força e auto-gerenciamento.


As primeiras têm um líder, vivem numa sociedade eficazmente organizada e não precisam receber ordens para executar seu trabalho. Você já viu de perto um formigueiro? Já notou como elas andam em fileiras e sincronia perfeitas e preparam seu alimento no verão para os dias de chuva, quando não podem trabalhar? Já os gafanhotos não têm um líder, porém sabem o que devem fazer exatamente.


Mas o que é trabalho em equipe? 


Suponha que você e mais duas pessoas estão trabalhando em uma plantação de feijão, onde cada um ganha o salário correspondente ao seu dia de trabalho. O trabalho funciona da seguinte maneira: em fila, você cava o buraco, o segundo joga a semente e o terceiro integrante tapa o buraco. Cada integrante deste grupo se preocupa apenas em realizar a sua tarefa, nada entendendo da importância do trabalho dos outros, "é cada um por si". 


Um certo dia o segundo membro da equipe faltou ao trabalho por motivo de saúde, porém a atividade continuou, pois cada um recebia o salário correspondente ao seu dia de trabalho e eles sabiam muito bem qual era sua responsabilidade, sem a necessidade de um líder para orientá-los. Você cavava o buraco, o segundo não jogou a semente (pois havia faltado), mas o terceiro tapava o buraco e assim prossegue o dia inteiro... 


Muitas pessoas, que atuam em diversas organizações, estão trabalhando em grupo e não em equipe, como se estivessem em uma linha de produção, onde o trabalho é individual e cada um se preocupa em realizar apenas sua tarefa e pronto. No trabalho em equipe, cada membro sabe o que os outros estão fazendo e sua importância para o sucesso da tarefa. Eles têm objetivos comuns e desenvolvem metas coletivas que tendem a ir além daquilo que foi determinado. Se no exemplo anterior você e os demais integrantes do grupo trabalhassem como equipe, conhecendo a importância do trabalho de cada membro, tendo uma visão e objetivos comuns, certamente vocês diriam: "nosso colega faltou, vamos ter que substituí-lo ou mudar o modo como estamos plantando, se não nosso trabalho será improdutivo". 


Toda equipe é um grupo, porém... nem todo grupo é uma equipe. (Carlos Basso, sócio-diretor da Consultoria CR Basso)


Grupo é um conjunto de pessoas com objetivos comuns, em geral se reúnem por afinidades. No entanto esse grupo não é uma equipe. Pois, equipe é um conjunto de pessoas com objetivos comuns atuando no cumprimento de metas específicas.


Grupo são todas as pessoas que vão ao cinema para assistir ao mesmo filme. Elas não se conhecem, não interagem entre si, mas o objetivo é o mesmo: assistir ao filme. Já equipe pode ser o elenco do filme: Todos trabalham juntos para atingir uma meta específica, que é fazer um bom trabalho, um bom filme.(Suzy Fleury, psicóloga e consultora empresarial e esportiva) 
Ter uma equipe altamente eficaz é mais do que ter um grupo de pessoas, visto que o trabalho em equipe precisa ser planejado, elaborado.


Palestra in Company sobre Trabalho em Equipe: Nossa Equipe, Um Time de Campeões


Prof. Márcio Silva 



Duas e três



Levei um susto quando aquela voz soprou em minha nuca:
          - Se tu é bom, mata essa: “Não durmo no Rio porque tenho pressa; duas e três.”
 Voltei-me para ver quem falava. Era um homem quarentão, alto e gorducho, de roupas imundas, rasgadas, e cara encardida. Uma cara simpática de gângster regenerado.
 Ele ria:
- Mata essa, vamos!
 Era de manhã cedo, em junho, e fazia um frio agradável. Acordara e, sem ter para onde ir, sentei-me naquele banco da praça Floriano, em frente à Biblioteca Nacional, à espera de que ela abrisse. Meu velho terno marrom esfiapava nas mangas, o sapato empoeirado, a barba por fazer. “Esse homem está me tomando por um vagabundo”, pensei comigo. E achei divertido.
          - Matar o quê?
  - A charada, meu besta!
O velho se debruçava em cima de mim, com um riso gozador. Fedia a suor e molambo. Afastei-o um pouco, com o braço e, meio sem saber o que fizesse, acedi.
 - Como é mesmo a charada?
- Só repito esta vez, tá bom? “Não durmo no Rio porque tenho pressa; duas e três”
          Sempre fui um fracasso para matar charadas. Fiz um esforço para penetrar nas palavras, mas em vão.
         - Digo mais. – esclareceu-me o vagabundo. – Chaves: “Não durmo no Rio” e “Rio”. Conceito: “pressa”... Mas você é burro, hei.
Donde diabo viera aquele cara impertinente, para me obrigar a resolver uma charada àquela hora da manhã? Mas meu orgulho estava em jogo. Pensava e o pensamento escapulia.
         - Não consigo decifrar. Não me amola.
- Então você perdeu.
- É, perdi.
- Então paga.
- Paga o quê?
- Duas pratas, meu Zé. Você perdeu!
 Era incrível. Comecei a rir. Ele também ria e dizia: “Paga, duas pratas.” Dei-lhe uma cédula de dois cruzeiros e fiquei ali rindo enquanto ele se afastava arrastando seus sapatos furados.
Semanas depois, estava eu no Passeio Público, quando ele veio com a mesma conversa, com se nunca me tivesse visto. “Mata essa: não durmo no Rio, porque tenho pressa; duas e três.” Respondi-lhe em cima da bucha: “Não durmo, velo; no Rio. cidade: velocidade. “Ele ficou desapontado. “Você perdeu”, disse-lhe eu.“Paga duas pratas.” Olhou-me sério, meteu a mão no bolso e estendeu-me duas notas imundas. Fomos tomar juntos um café na Lapa.
GULLAR, Ferreira. O melhor da crônica brasileira. 1 Ferreira
Gullar...[ET al.]. – 5ª Ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.


Após ler o texto com atenção, responda as questões abaixo:


01.A narrativa está em 1ª ou 3ª pessoa? Retire do texto um trecho que justifique sua resposta.
02. Onde e  quando aconteceu o primeiro encontro entre os dois homens?
03.Para o narrador o que lhe pareceu ser o homem que o abordara?Assinale a alternativa correta:
a) um vagabundo de rua            b) um mágico de rua
c)  um vigarista                           d) um trabalhador desempregado

04. Assinale a alternativa correta:
a) O narrador achou muito comum e normal a  abordagem que lhe foi feita pelo homem.
b )O narrador repeliu, veementemente, o homem.
c) Apesar de ter achado estranha a abordagem, o narrador acabou se envolvendo com a simpatia do desconhecido.
d) O estranho queria extorquir o narrador.
05. Qual a palavra que melhor se aproxima de um sinônimo para a palavra charada?
a) duelo                  b) disputa                 c) comando                 d) enigma    
06. Na frase “Este homem está me tomando por um vagabundo.” a expressão
destacada significa:
a)“parecendo com”                          b) “comparando com”
c) “acompanhado por”                    d) “discordando de”
07. O narrador pagou duas pratas ao velho porque:
a)jamais estivera naquela situação.
b)pela conversa agradável do homem.
c)não conseguiu decifrar a charada.
d)porque o homem estava com fome.
08. Em “Mata essa, vamos!” o termo destacado tem o mesmo sentido de:
a) elimina             b) abate                    c) extermine                  d) resolve
09. O texto se desenvolveu em torno:
a)da amizade impossível entre duas pessoas que pouco se conheciam.
b)da camaradagem entre dois homens apreciadores de charadas
c)do encontro inesperado entre pessoas que não se conheciam
d)do hábito das pessoas frequentarem praças e bibliotecas

10.A que se referem as palavras duas e três, que formam o título do texto?




Estrelas em greve
Foi um fuzuê no mundo inteiro. As galinhas, que dormiam com a estrela- d’alva, perderam o sono e deixaram de botar ovos. As corujas pararam de piar. Os tatus não saíram mais das tocas. Os grilos silenciaram. Os anjos da guarda, que desciam à noitinha para ninar as crianças, perdiam-se no caminho. As damas da noite não abriram mais suas pétalas. No escuro, o vento não enxergava nada e não sabia para onde soprar. Os poetas caíram em desânimo e a produção de poesia imediatamente cessou. Os agricultores ignoravam se era ou não a época certa para semear. As marés, desorientadas, subiam e desciam à deriva.
Todas as noites, as mulheres se punham diante da televisão para ver as novelas. Os homens cochilavam no sofá e a criançada com os computadores. Ninguém tinha tempo de olhar para o céu.
Sem plateia, as estrelas decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A Lua, solidária com as amigas, aderiu ao protesto e também se escondeu.Então, os homens descobriram que aquilo tinha a ver com o sumiço das estrelas. Chamaram os melhores astrônomos, mas eles não souberam explicar o ocorrido. Convocaram as feiticeiras para resolver o assunto, elas fizeram lá suas mandingas, mas não adiantou nada. A coisa estava realmente preta.
Até que, numa noite, um homem saiu de casa e se pôs a contemplar o céu na escuridão. Lembrou que a mãe lhe ensinara a posição do Cruzeiro do Sul. Outro se juntou a ele e recordou as histórias de Lua cheia, quando aparecia o lobisomem. Um velho ouviu a conversa dos dois e veio contar que, em criança, tinha visto o Cometa Halley. Apareceu uma mulher e comentou que só cortava os cabelos na Lua minguante. Outra mulher falou que, havia alguns anos, vira uma estrela cadente e fizera um pedido. O marido ouviu-a e disse que o pedido era ter o amor dele para sempre. Outro homem contou que lhe nascera uma verruga no dedo porque, quando garoto, apontara para as Três–Marias. Aos poucos, as pessoas foram saindo de casa e cada uma tinha sua história para contar sobre a Lua e as estrelas.
Quando estavam todos na rua olhando o céu vazio, as estrelas, que os observavam do fundo
da noite, apareceram de surpresa, acendendo-se ao mesmo tempo. Foi lindo: parecia uma chuva de gotas prateadas.
Em seguida, despontou a Lua, com seu brilho magnífico, como um holofote.
Aí todos entenderam o motivo daquela greve. E, imediatamente, decidiram em consenso: podiam ver televisão, dormir no sofá e brincar com o computador todas as noites. Mas, de vez em quando, iriam dar uma espiadinha no céu para ver o show das estrelas.
                                                   João A. Carrascoza -  Estrelas em greve
Conto publicado na Revista Nova Escola nº 107-  Fundação Victor Civita
1.Ao ler o texto, certamente algumas palavras você desconhece. Sublinhe-as e procure os significados no dicionário.

2.Em qual sequência os fatos acontecem?Numere-os na ordem correta:
(  ) As pessoas tentaram resolver o problema das estrelas.
(  ) As estrelas e a Lua se esconderam.
(  ) As pessoas deixaram de observar o céu, só ficavam dentro de suas casas.
(  ) As pessoas aprenderam uma importante lição.
(  ) Uma tremenda confusão aconteceu no mundo inteiro.
(  ) Todos começaram a se lembrar e a comentar histórias sobre a Lua e as estrelas.
3.Você já deve ter ouvido falar em “greve”, comente sobre isso (o que é greve, qual o objetivo de  fazer greve, alguma greve que teve recentemente...).

4.No texto, qual foi o motivo que levou as estrelas fazerem uma greve?

5. Que consequências  a greve das estrelas provocou?

6.Quando os homens descobriram “ todo o fuzuê no mundo” tinha a ver com o sumiço das estrelas, que atitude tomaram? Estas medidas adiantaram? Explique.

7.No texto, as estrelas conseguiram ter sucesso com a greve? Justifique a sua resposta.

8. Em que momento as estrelas decidiram voltar a iluminar o céu?

9. O que as pessoas decidiram quando entenderam o motivo das estrelas?
10. Qual é a lição que o texto Estrelas em greve nos ensina?



O MAIOR TATU DO MUNDO
Brincar de esconde-esconde é divertido. Agora, se o tatu-canastra resolve participar da brincadeira, fica difícil competir com ele. Ele é o maior tatu do mundo atualmente. Mede, aproximadamente, um metro e meio de comprimento e pesa cerca de 40 quilos. Seria fácil encontrá-lo, se as suas tocas (ou abrigos) não fossem tão grandes: elas chegam a medir mais de cinco metros de extensão, e o Priodontes maximus pode ficar lá escondido por mais de quinze dias. Será que alguém consegue esperar tanto tempo assim para ver o tatu-canastra? Pois, para observar e estudar essa espécie, os pesquisadores esperam até mais, se for preciso.
Normalmente, o tatu-canastra escolhe ninhos abandonados de cupins ou de formigas para construir a sua toca. As suas unhas enormes e curvas – que podem medir até 20 centímetros – fazem dele um ótimo cavador. Para quebrar o ninho de animais, como as formigas e os cupins, e alimentar-se, essa espécie de tatu usa a sua língua comprida cobras, vermes e larvas. Tudo isso é mastigado com o auxílio dos seus 80 pequenos dentes.
Como a maioria das 20 espécies de tatus que existem, o tatu-canastra tem o corpo coberto de placas ósseas, como se fosse uma armadura, e possui poucos pelos.
O Priodontes maximus é um animal solitário. Gosta de sair à noite para procurar alimento e namorar. Essa espécie pode ter até dois filhotes por cria.
Quando é incomodado, o tatu-canastra deita-se no chão com a barriga para cima e tenta se defender com as patas anteriores. Para escapar do perigo, é capaz de se enterrar em poucos minutos.
Devido ao desmatamento, ao desenvolvimento das plantações e criações de gado, o habitat do tatu-canastra, bem como de muitos outros animais, vem sendo reduzido. A caça ao animal, que tem uma quantidade de carne abundante, também contribui para
diminuir as suas populações. Os seringueiros da Amazônia costumam até dizer que a carne desse tatu dá azar! Só se for para o próprio, não é mesmo?
Para evitar a extinção do tatu-canastra, é preciso proteger os ambientes em que
ele vive e, também, realizar estudos para se conhecerem melhor os hábitos dessa
espécie brasileira.
BOCCHIGLIERI, Adriana; REIS, Marcelo Lima. O maior tatu do mundo.
Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro, ano 18, n.161, set. 2005.
Atividades:
Lembre-se, nas questões de alternativas, marque apenas uma. 

1.Este texto é:
(A) informativo        (B) uma notícia        (C) um conto       (D) científico
2. Em “Seria fácil encontrá-lo (parágrafo 1), o termo destacado se refere
(A) a qualquer tatu.
(B) ao abrigo do tatu.
(C) ao predador do tatu.
(D) ao tatu-canastra.
3. Em geral, o tatu-canastra:
(A) aumenta a sua população constantemente.
(B) é o maior animal da sua espécie atualmente.
(C) é um animal de hábitos diurnos por excelência.
(D) gosta de viver em grupos de animais silvestres
4.Qual o nome científico do tatu-canastra?
5.Por que é não é fácil encontrar esse animal?
6.Depois de os cupins e as formigas abandonarem seus ninhos, o tatu-canastra:
(A) amplia-os para criar todos os seus filhotes.
(B) destrói-os para defender-se.
(C) diminui-os para torná-los mais aconchegante
(D) escolhe-os para fazer deles a sua moradia.
7. Uma das consequências do desmatamento é a redução do:
(A) habitat de muitos animais silvestres.
(B) número de filhotes do tatu-canastra.
(C) ciclo de vida das espécies inferiores.
(D) interesse pela vida de animais menores.


8. Ao ler o texto, encontramos algumas características do tatu-canastra. Cite 4 dessas características.

 Incentivo à Leitura 



Lendo e aprendendo com Zapty, o extraterrestre
Por Fátima Pereira
Jornal SuperaBR -  www.jornalsuperabr.com.br
Uma simples ideia pode virar um grande projeto. Foi assim que nasceu Zapty, um extraterrestre muito simpático que está fazendo sucesso entre a garotada.

Paulo Moraes, 52, advogado  e professor de história é o idealizador do projeto VIVO... LENDO E APRENDENDO, que tem como eixo principal o incentivo à leitura. Casado, pai de Maria Flor, Érico, Vitor e Bruno, gosta de ler, ouvir música e se dedicar à família.  Como professor reconhece que a leitura é um poderoso instrumento que precisa se tornar um hábito entre nossas crianças e jovens.

Conheça um pouco mais sobre o autor de Zapty o extraterrestre e seu importante projeto de leitura.

Jornal SuperaBR: Em que momento da sua vida você descobriu a literatura? Lembra-se de algum livro em especial?


Paulo: Foi com 12 ou 13 anos. Havia um evento em minha cidade, Anápolis-Go, todos os domingos pela manhã na “Praça das Mães”, onde dezenas de pessoas se reuniam para vender, comprar e principalmente efetuar a troca de: LIVROS, REVISTAS EM QUADRINHOS e GIBIS. Lembro-me também dos “bolsilivros” histórias de “faroeste americano” e que ficava contando os dias, ia junto com meus dois irmãos mais velhos. Então, líamos aquela quantidade de gibis e revistas em quadrinho durante a semana e no domingo trocava-se por outras. Era maravilhoso. O livro marcante de minha infância foi “O caso da borboleta Atíria” e “O Pequeno Príncipe”.     
Jornal SuperaBR: Você é advogado e também professor. Quando surgiu a vontade de trabalhar na área da educação?
Paulo:Terminei o curso de Direito em 1990, na UNIEVANGÉLICA em Anápolis-GO; em 1991 passei no exame da OAB-GO, atuo mais na área Penal e Família. Desde a adolescência, sempre tive o desejo de lecionar. Em 2011 resolvi fazer a graduação de Licenciatura em História, pela PUC Goiás, estou lecionando há quase dois anos na Escola Estadual Jardim Novo Mundo, no Ensino Fundamental.  Conclui em dezembro/2013 a Pós-Graduação em "Docência Universitária", pela Faculdade Católica de Anápolis-GO.
Jornal SuperaBR: Você tem filhos, eles são sua inspiração? Eles gostam de ler?
Paulo: Sim, meus filhos me inspiram.  Tenho quatro: a Maria Flor, caçula com 3 anos, Érico com 16, Victor com 18 e Bruno com 22 é “Especial”, em todos os sentidos,  (PC e DV), estuda na APAE desde 1999. O Érico e o Victor leem bastante, e a Maria Flor que já está na escola, demonstra interesse por livros e revistas.    
Jornal SuperaBR: Quando surgiu a ideia de criar uma personagem para as crianças?
 Bom... a ideia surgiu logo após eu plantar três mudas de árvores (bálsamo) em um parque da cidade, foi em 2007, uma para cada filho. Em seguida (2008) resolvi escrever o livro, seguindo o ditado popular “tenho três filhos, plantei três mudas de árvore (...)” estava faltando escrever um livro. E, também para homenagear meus filhos (eles são, juntamente com o Zapty, os personagens principais do livro).   
  
Jornal SuperaBR: O livro Zapty faz parte de um projeto de incentivo à leitura. Como surgiu esse projeto?
Paulo: Inicialmente, seria apenas para homenagear meus filhos, uma brincadeira, até que em 2012, a Escola do SESI de Goiânia adotou o livro e me convidou para fazer uma palestra e momento de autógrafos aos alunos do 5º, 6º e 7º ano (193 alunos); foi marcante esse momento. Em seguida a IFA BRINQUEDOS LTDA, localizada na cidade de Laranjal Paulista-SP, licenciou o livro e o personagem Zapty. Entretanto, o que me levou a desenvolver o Projeto, foi uma conversa com a professora de uma escola, que havia adquirido 150 exemplares do Zapty, certo dia ela me ligou e disse  “Professor, por favor, me dê uma idéia, o que eu faço? Em minhas duas turmas (70 alunos), que ganharam o livro da Escola, apenas 17 leram o livro”.
Ou seja, apenas 20% dos alunos leram o livro. Comecei pensar em uma “fórmula” para fazer com que os alunos leiam mais, o Projeto foi surgindo naturalmente, e sempre surgem novas idéias. A forma como o Projeto: VIVO...LENDO E APRENDENDO foi concebido, aumenta esse índice para 95% podendo chegar a 100%. O projeto está estruturado em quatro pilares:
1) O Livro Zapty o Extraterrestre, como a “ferramenta” principal;
2) A Ficha de Leitura/atividade de interpretação de texto (o aluno precisa ler e reler o livro para responder as questões), a idéia é que a Professora utilize esta atividade como uma das notas de avaliação do bimestre;
3) O momento de AUTÓGRAFOS, que é também o momento dos alunos interagirem com o autor, é um momento “mágico” inesquecível, sobretudo para crianças da 4º e 5º ano;
4) Oficina sobre técnicas de leitura e como se dá a publicação de um livro, quais as fases, etc.
5) o cenário, ou seja, o aspecto LÚDICO do projeto: BANNERS, DISPLAYS e BONECO INFLÁVEL DO ZAPTY.  
             
Jornal SuperaB: Qual a importância desse projeto para as escolas?
Paulo: O objetivo principal é despertar nas crianças na faixa etária, entre 08 e 11 o interesse pelos livros, pelo o prazer da leitura, a idéia é que a Professora explore o máximo as possibilidades do livro: Avaliação de leitura, os alunos podem colorir durante as aulas de arte, as 15 gravuras do livro; e, como opção a mais de evento cultural. 
Jornal SuperaBR: Como tem sido a acolhida desse projeto pelos educadores e alunos?
Paulo: A acolhida pelos educadores e alunos tem sido muito legal, de entusiasmo e o que é legal é que nós professores somos criativos, cheios de ideias. O grande e grave problema é a gestão, quase sempre esbarra, é adiado para o próximo orçamento, para o próximo ano. Contudo, é gratificante quando vemos nos olhos dos alunos a alegria de receber o livro autografado pelo autor, tirar uma foto, dar um abraço... não tem dinheiro que pague.  
Jornal SuperaBR: Aliando essas duas áreas de formação (Direito e Educação), você já desenvolveu algum outro projeto?
Paulo: Preocupado com a juventude, publiquei o Manual do Estudante- Justiça, Direito e Cidadania com informações relevantes sobre temas como Bullyng, Violência na escola, Gravidez precoce, Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outros. O manual é voltado para o ensino médio.
Também sou palestrante com o tema: "VIOLÊNCIA NÃO, EDUCAÇÃO E CIDADANIA SIM!" (abordagem do tema: "O aluno "problema" é um problema na Escola ou da Escola?"). As palestras são realizadas em escolas, para  alunos aos professores, sobretudo, em início de ano letivo, evento literário na Secretaria ou na escola, etc. Sendo que nesses eventos façoa doação de uma cartilha (Manual do estudante) aos participantes. Em um município próximo a Goiânia, Santa Rosa-GO, fui contratado pela Sec. Municipal de Saúde, para palestra
Jornal SuperaBR: Deixe uma mensagem sobre a importância da leitura para nossas crianças.
Paulo: Que procurem dedicar um tempo à leitura, sabemos que os livros possuem concorrentes fortíssimos, a internet com suas redes sociais tomam quase todo o tempo das crianças; que procurem descobrir prazer também nos livros. Afinal, a leitura: “melhora a concentração e o foco”; “desenvolve a criatividade”, “exercita sua mente”; “proporciona conhecimento e informação”.  Abraço a todos.
Deixo meus sinceros agradecimentos à professora Fátima pela entrevista, acima de tudo pela generosidade em conceder esse valioso espaço, para falarmos de algo tão importante para qualquer nação: CULTURA E EDUCAÇÃO.
     
Contatos:
Para saber mais sobre o Projeto Vivo... Lendo e Aprendendo, o livro Zapty ou as palestras:
Paulo Morais
FACEBOOK: Paulo Morais


Liberdade

Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos, por ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade! "; nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre/ ou morrer pelo Brasil!"; nossos pais pediam: "Liberdade! Liberdade!/ abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/ brilhou no céu da Pátria..." em certo instante.

Somos, pois, criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre como diria o famoso conselheiro... é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Suponho que seja isso.)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir. (As vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...)
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!
 ...

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!
 ...

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos
construtores de Babel...

(MEIRELES, Cecília. Escolha o seu sonho:crônicas Editora Record  Rio de Janeiro, 2002, pág. 07.)
Após ler atentamente o texto, responda as questões de 1 a 10:


1.De qual livro foi retirado o texto Liberdade? ___________________________



De quem é a autoria? ________________________________


(Nas questões 2 a 7, assinale a alternativa correta)
2.O texto afirma que
(A) a escravidão depende das escolhas das pessoas.
(B) a liberdade de um acaba onde começa a liberdade de outrem.
(C) as criaturas combatem a liberdade com entusiasmo juvenil.
(D) os sentimentos sombrios deslumbram a liberdade.
3. O resultado de ser livre é
(A) ampliar a órbita da vida.
(B) cantar a liberdade como nossos avós.
(C) viver sem sonhar.
(D) viver sem qualquer obrigação.
4. A liberdade é tão fundamental ao homem que
(A) certamente se prefere a morte à liberdade.
(B) com liberdade tudo se consegue na vida.
(C) onde não há liberdade não há pátria.
(D) sem liberdade não se constrói coisa alguma.
5. Em “Ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado (...)"

os termos destacados se referem a pessoas que
(A) comportam-se de forma imprevisível.
(B) desobedem às regras e às convenções.
(C) fazem só o que os outros lhes determinam.
(D) sabem muito bem o que devem realizar.
6. No segundo parágrafo do texto, entende-se que a Liberdade é
modernos.
(A) a inspiração para cantos antigos e
(B) o bem mais precioso do homem.
(C) um bem esquecido por nossos parentes.
(D) uma luta que, às vezes, vale a pena travar.
07. A questão central tratada no texto é
(A) a emoção dos antepassados.
(B) a felicidade das pessoas
(C) a liberdade humana.
(D)o combate à escravidão.
8.Qual o significado da palavra liberdade para você?
9.Você acha que  o Brasil, atualmente, é uma nação livre? Justifique sua resposta?
10.Releia: “Ser livre é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho” (4º parágrafo). Como você compreende  esse trecho?
Gabarito:
1.Escolha seu sonho. Cecília Meireles(O aluno deve saber encontrar as informações sobre o texto, ver que estão logo abaixo e que o sobrenome na bibliografia vem primeiro, que o nome do livro geralmente aparece em itálico...)
2 B, 3 A, 4 C, 5 C, 6 B, 7 C
8, 9 e 10 – respostas pessoais.
   






Ler devia ser proibido
 texto de Guiomar de Grammont*
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
       Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Alem disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano
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Referência bibliográfica do texto: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.

*Guiomar de Grammont é  historiadora, filósofa, dramaturga e escritora. Publicou contos, antologias, livros sobre historiografia e o romance A casa dos espelhos.

Para a discussão sobre o texto:

1.Qual é a tese defendida   no texto?
A importância  da leitura na formação de conhecimento do homem.

2. Que argumentos a autora usa para defender sua tese?
A leitura acorda os homens para realidades impossíveis.
Desenvolve um poder incontrolável. Sem ler o homem jamais saberia a extinção do prazer: O conhecer .
Ler pode provocar o inesperado: Leva o ser humano alem do que lhe é devido. 
Os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia.
Ler pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossemelhança. 
Para o homem que lê não há obstáculos, a leitura é um poder, e o poder é para poucos . Alem disso a leitura  compartilha experiências do homem. Ler pode tornar o homem consciente de direitos e deveres.