quinta-feira, 11 de abril de 2019

Resultado de imagem para imagem de rosas

COM VONTADE DE VOAR


              A menina brincou tudo que tinha direito e aí... “rrrrróóóóíiiimmmm”- era a fome feito bicho reclamando na barriga
              Foi logo pulando o portão da sua casa e ouviu a vizinha - de –cá:
              -Eta menina,livre como passarinho!
              Catou uma goiaba e subiu na mangueira. Chegou perto do galho onde pendurada, ficava a gaiola do amigo Chico Passarinho.
              A menina dividiu a metade da fruta com ele:
              -Come tudo viu filhote!
              Aí ela foi achando o Chico demais de aflito, dum poleiro pro outro batendo as asas de tão forte, perdendo penas no chão. Nem deu trela pra goiaba.
              De repente feito eco a frase se repetia: “Livre como um passarinho!” Livre como?!
              Ficou assim pensativa... “Ai que ruim que deve ser morar dentro da gaiola o dia todo, todo dia! Não quis saber de mais nada, uma vontade foi crescendo... Abriu a portinhola, pegou o Chico e o ergueu pelo ar:
              - Se manda, amigo, se manda que o mundo é teu!Livra-se da gataria e de tudo que “pirigar”!
              Ele voou por abacateiro, achou sem grade pra amiga, cantando descarrilhado, e voou.
              Depois a menina sentiu uma coisa esquisita ao ver a gaiola vazia – e agora? Lembrou-se que o passarinho não era seu e sim de seu pai. A saudade embolada no medo de apanhar.
              Começou a chorar baixinho e depois bem alto toda aquela confusão que sentia que sentia.
              Quando seu pai chegou, ela falou que ia contar uma coisa, mas se ele prometesse não ficar nem bravo nem triste.
              O pai foi ouvindo em vez de ficar triste, agradou a cabeça dela e sorriu.
              -Ah que coisa mais bonita! O Chico a estas alturas já deve estar no mato. Não faz muito tempo que o compadre Bizu trouxe o Chico, que caçou lá pras bandas -de Uiui –Dá dez minutos de carro .O nosso amigo voando, a estas alturas já deve estar lá, falou o pai olhando no relógio.
              -O compadre é nosso amigo, mas ele tem um defeito de querer que o passarinho cante só pra ele- era a mãe chegando com o leite quentinho. Disse também que para curar essa saudade do passarinho só o tempo dava jeito.
              Ficaram ali os três até a menina dormir.
              Veio a manhã seguinte, outras e outras mais, deixando a saudade sarar.
Sabiás – laranjeiras, pardais, bem-te-vis e tiés soltos na galharia foram deixando, de novo aquele quintal feliz
                                      (Adaptado do livro Com vontade de voar, de Claúdia F. Pacce, Ed.Moderna,1991.)

1.Sublinhe as expressões ou palavras que você não conhece. Faça uma lista e dê o significado (se precisar use o dicionário, mas  possível saber o significado de algumas só pela leitura).
2.Identifique no texto:
a)
Personagem (ns)  principal (is)


Personagens secundários


Cenário (espaço)


Tempo da narrativa


Narrador
(   ) 1ª pessoa        (   ) 3ª pessoa

b)
Situação inicial



Conflito



Desenvolvimento



Clímax



Desfecho





3. a) Qual foi a frase que fez a menina decidir soltar o passarinho?
b)Ela se aplicava ao Chico? Por quê?

4. A menina viu que o Chico estava aflito.
a)Qual  motivo  ela imaginou que seria?
b)No texto há uma pista, um grande perigo para passarinhos. Tente descobrir qual é.

5. Por que a menina não se sentiu muito bem ao ver a gaiola vazia?

6. Façam uma lista de tudo o que possa “perigar” em relação a um passarinho solto.

7. Você acha que a garota fez bem em soltar o passarinho? Explique.

8. Se estivesse no lugar da menina, teria feito o mesmo?

9. O que você achou da atitude do pai?



10. Você se sente “livre como um passarinho”? Escreva um pequeno texto sobre isso.
Resultado de imagem para imagem de rosas


Duas e três - crônica- Interpretação 8º/9º anos

Duas e três


Levei um susto quando aquela voz soprou em minha nuca:
          - Se tu é bom, mata essa: “Não durmo no Rio porque tenho pressa; duas e três.”
 Voltei-me para ver quem falava. Era um homem quarentão, alto e gorducho, de roupas imundas, rasgadas, e cara encardida. Uma cara simpática de gângster regenerado.
 Ele ria:
- Mata essa, vamos!
 Era de manhã cedo, em junho, e fazia um frio agradável. Acordara e, sem ter para onde ir, sentei-me naquele banco da praça Floriano, em frente à Biblioteca Nacional, à espera de que ela abrisse. Meu velho terno marrom esfiapava nas mangas, o sapato empoeirado, a barba por fazer. “Esse homem está me tomando por um vagabundo”, pensei comigo. E achei divertido.
          - Matar o quê?
  - A charada, meu besta!
O velho se debruçava em cima de mim, com um riso gozador. Fedia a suor e molambo. Afastei-o um pouco, com o braço e, meio sem saber o que fizesse, acedi.
 - Como é mesmo a charada?
- Só repito esta vez, tá bom? “Não durmo no Rio porque tenho pressa; duas e três”
          Sempre fui um fracasso para matar charadas. Fiz um esforço para penetrar nas palavras, mas em vão.
         - Digo mais. – esclareceu-me o vagabundo. – Chaves: “Não durmo no Rio” e “Rio”. Conceito: “pressa”... Mas você é burro, hei.
Donde diabo viera aquele cara impertinente, para me obrigar a resolver uma charada àquela hora da manhã? Mas meu orgulho estava em jogo. Pensava e o pensamento escapulia.
         - Não consigo decifrar. Não me amola.
- Então você perdeu.
- É, perdi.
- Então paga.
- Paga o quê?
- Duas pratas, meu Zé. Você perdeu!
 Era incrível. Comecei a rir. Ele também ria e dizia: “Paga, duas pratas.” Dei-lhe uma cédula de dois cruzeiros e fiquei ali rindo enquanto ele se afastava arrastando seus sapatos furados.
Semanas depois, estava eu no Passeio Público, quando ele veio com a mesma conversa, com se nunca me tivesse visto. “Mata essa: não durmo no Rio, porque tenho pressa; duas e três.” Respondi-lhe em cima da bucha: “Não durmo, velo; no Rio. cidade: velocidade. “Ele ficou desapontado. “Você perdeu”, disse-lhe eu.“Paga duas pratas.” Olhou-me sério, meteu a mão no bolso e estendeu-me duas notas imundas. Fomos tomar juntos um café na Lapa.

GULLAR, Ferreira. O melhor da crônica brasileira. 1 Ferreira
Gullar...[ET al.]. – 5ª Ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.


Após ler o texto com atenção, responda as questões abaixo:


01.A narrativa está em 1ª ou 3ª pessoa? Retire do texto um trecho que justifique sua resposta.

02. Onde e  quando aconteceu o primeiro encontro entre os dois homens?

03.Para o narrador o que lhe pareceu ser o homem que o abordara?Assinale a alternativa correta:
a) um vagabundo de rua            b) um mágico de rua
c)  um vigarista                           d) um trabalhador desempregado

04. Assinale a alternativa correta:
a) O narrador achou muito comum e normal a  abordagem que lhe foi feita pelo homem.
b )O narrador repeliu, veementemente, o homem.
c) Apesar de ter achado estranha a abordagem, o narrador acabou se envolvendo com a simpatia do desconhecido.
d) O estranho queria extorquir o narrador.

05. Qual a palavra que melhor se aproxima de um sinônimo para a palavra charada?
a) duelo                  b) disputa                 c) comando                 d) enigma    
06. Na frase “Este homem está me tomando por um vagabundo.” a expressão
destacada significa:
a)“parecendo com”                          b) “comparando com”
c) “acompanhado por”                    d) “discordando de”

07. O narrador pagou duas pratas ao velho porque:

a)jamais estivera naquela situação.
b)pela conversa agradável do homem.
c)não conseguiu decifrar a charada.
d)porque o homem estava com fome.

08. Em “Mata essa, vamos!” o termo destacado tem o mesmo sentido de:

a) elimina             b) abate                    c) extermine                  d) resolve

09. O texto se desenvolveu em torno:

a)da amizade impossível entre duas pessoas que pouco se conheciam.
b)da camaradagem entre dois homens apreciadores de charadas
c)do encontro inesperado entre pessoas que não se conheciam
d)do hábito das pessoas frequentarem praças e bibliotecas


10.A que se referem as palavras duas e três, que formam o título do texto?



Resultado de imagem para imagem de rosas



OUSADIA
Fernando Sabino

1ª parte

A moça ia no ônibus muito contente desta vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:
- A sua passagem já está paga, disse o motorista.
- Paga por quem?
- Esse cavalheiro aí:
E apontou um mulato bem vestido que acabara de deixar o ônibus, e aguardava com um sorriso junto à calçada.
- É algum engano, não conheço esse homem. Faça o favor de receber. 
- Mas já está paga...
 Faça o favor de receber! – insistiu ela, estendendo o dinheiro e falando bem alto 
para que o homem ouvisse: - Já disse que não conheço! Sujeito atrevido, ainda fica ali me esperando, o senhor não está vendo? Por favor, faço questão que o senhor receba minha passagem.
O motorista ergueu os ombros e acabou recebendo: melhor para ele, ganhava duas vezes.
A moça saltou do ônibus e passou fuzilada de indignação pelo homem.
Foi seguindo pela rua sem olhar para ele.
Se olhasse, veria que ele a seguia, meio ressabiado, a alguns passos.

2ª parte

Somente quando dobrou à direita para entrar no edifício onde morava, arriscou uma espiada: lá vinha ele! Correu para o apartamento, que era no térreo, pôs-se a bater aflita:
- Abre! Abre aí!
A empregada veio abrir e ela irrompeu pela sala, contando aos pais atônitos, em termos confusos, a sua aventura.
- Descarado, como é que tem coragem? Me seguiu até aqui!
De súbito, ao voltar-se, viu pela porta aberta que o homem ainda estava lá fora, no saguão. Protegida pela presença dos pais, ousou enfrentá-lo
- Olha ele ali! É ele, venha ver! Ainda está ali, o sem-vergonha. Mas que ousadia!
Todos se precipitaram para a porta. A empregada levou as mãos à cabeça.
- Mas a senhora, como é que pode! É o Marcelo.
- Marcelo? Que Marcelo? – a moça se voltou surpreendida.
- Marcelo, o meu noivo. A senhora conhece ele, foi quem pintou o apartamento.
A moça só faltou morrer de vergonha:
- É mesmo, é o Marcelo! Como é que não reconheci! Você me desculpe, Marcelo, por favor.
No saguão, Marcelo torcia as mãos encabulado:
- A senhora é que me desculpe, foi muita ousadia.

-------

Após ler o texto com atenção, responda:

1.Qual é o tema desta crônica? 

2. Quem são as personagens principais da crônica?

3. 
a)O  foco narrativo é:
 (  ) 1ª pessoa ( também é personagem)
 (  ) 3ª pessoa (observador – conta apenas o observa)
 (  ) 3ª pessoa onisciente (sabe também o que as personagens pensam)

b)Justifique a sua resposta com um trecho da crônica.

4.
 a)A linguagem empregada no texto é:
(   )   formal                   (   )  informal
b) Transcreva um trecho do texto que justifique sua resposta.

5.Identifique no enredo da crônica a sequência dos fatos e enumere-os: 
(1) Situação inicial
(2) Complicação ou conflito
(3) Clímax 
(4) Desfecho 

( ) Ao subir para seu apartamento, a moça percebe que o homem que a estava seguindo está no saguão do prédio.
(  )Surpreende-se ao saber que a passagem já foi paga por um rapaz que a espera.
(  ) Uma moça, no ônibus, vai pagar a passagem.
( ) A  moça só faltou morrer de vergonha  porque descobre que o homem não era suspeito e sim o noivo de sua empregada, ela não o havia reconhecido.

6.A descrição física do moço é importante para a construção do mal-entendido na história? Por quê?

7.As personagens transitam por vários lugares ao longo da história. Quais?

     8. 
     a)Que tipo de discurso predominou na crônica?
     b) Que efeito esse recurso provoca no leitor? 

9. 
a)Justifique o título da crônica:

b)Em sua opinião, a crônica “Ousadia” faz alguma crítica a algum comportamento humano muito presente em nossa sociedade? 

     10. De que recursos se serviu o autor para criar o humor presente na crônica?  

Imagem relacionada

Atenção nesse site tem exelentes atividades de Matemática para o 5 ° anos

https://desafiosmate.com.br/2017/07/10-avaliacoes-de-matematica-descritores-5o-ano.html

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A imagem pode conter: flor, planta e natureza


      Reflexão para o dia-a-dia
O velho mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
- Qual é o gosto? - perguntou o mestre.
- Ruim - disse o aprendiz.

O mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
Então o velho disse:
- Beba um pouco dessa água. Enquanto a água corria do queixo do jovem o mestre perguntou:
- Qual é o gosto?
- Bom! disse o rapaz.
- Você sente o gosto do sal? - perguntou o mestre.
- Não - disse o jovem.

O mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu.

Em outras palavras:
É deixar de ser copo para tornar-se um lago.

A imagem pode conter: flor, planta e natureza

                             A dureza de uma guerra

Charles Plumb era piloto de um bombardeiro na guerra do Vietnã. Depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil. Plumb saltou de pára-quedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte - vietnamita. Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisséia e o que aprendera na prisão.

Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem:
- "Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo?"
- "Sim, como sabe?", perguntou Plumb.
- "Era eu quem dobrava o seu pára-quedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?"

Plumb quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu: - "Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje."

Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, pensando e perguntando-se: - "Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse Bom Dia? Eu era um piloto arrogante e ele um simples marinheiro."

Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários pára-quedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia.

Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à sua platéia: - "Quem dobrou teu pára-quedas hoje?".

Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos pára-quedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual. Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta diariamente, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam no momento oportuno sem que lhes tenhamos pedido. Deixamos de saudar, de agradecer, de felicitar alguém, ou ainda simplesmente de dizer algo amável. Hoje, esta semana, este ano, cada dia, procura dar-te conta de quem prepara teu pára-quedas, e agradece-lhe. Ainda que não tenhas nada de importante a dizer, envia esta mensagem a quem fez isto alguma vez. E manda-a também aos que não o fizeram.

As pessoas ao teu redor notarão esse gesto, e te retribuirão preparando teu pára-quedas com esse mesmo afeto. Todos precisamos uns dos outros, por isso, mostra-lhes tua gratidão. Às vezes as coisas mais importantes da vida dependem apenas de ações simples. Só um telefonema, um sorriso, um agradecimento, um Gosto de Você, um parabéns... Simplesmente você é 10!

A imagem pode conter: flor, planta e natureza

        Como se faz amigos

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu oro pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber - que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."