terça-feira, 22 de agosto de 2017

A imagem pode conter: flor e planta

No Meio do Caminho

Carlos Drummond de Andrade

 No meio do caminho tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra

 

Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra.

 QUESTÕES OBJETIVAS:

1. Essa pedra no meio do caminho só não pode ser:

   A – desânimo                                    D – fraqueza             
   B – entusiasmo                      
   C – tristeza                                        E – problemas
   2. O “caminho”, nesse poema de Drummond, é uma metáfora
   A – da encruzilhada                               D – da vida          
   B – da estrada              
   C – do campo                                       E – do tempo
   3. Sabe-se que, pela gramática normativa, deveria ser usado o verbo “havia” no lugar de “tinha”. Drummond escolheu o verbo “ter”
   A – porque seu vocabulário é restrito.                    
   B – pois achou mais fácil assim.
   C – já que a palavra “havia” estaria mal empregada.
   D – intencionalmente.
   E – N.D.A.
   4. A repetição de palavras, nesse poema,
   A – demonstra falta de conhecimento linguístico                          
   B – mostra despreparo
   C – cria a força poética da poesia.                                                 
   D – deixa o poema menos interessante.
   E – N. D. A. 
   5. As palavras “pedra” e “caminho”, nesse poema, foram usadas no sentido
   A – Próprio (denotativo)                             D – Próprio (conotativo)
   B – Figurado (denotativo)                            
   C – Figurado (conotativo)                           
   E -  n.d.a
   6. “Tinha uma pedra no meio do caminho” A palavra grifada nesse verso se classifica como:
   A – Pronome Indefinido                               D – Adjetivo                      
   B – Artigo Indefinido
   C – Artigo Definido                                      E – Substantivo
   7. “Nunca me esquecerei desse acontecimento” A palavra grifada nesse verso classifica-se como um advérbio de
   A – negação                                               D – modo                       
   B – dúvida           
   C – tempo                                                  E – intensidade
   8. “Na vida de minhas retinas tão fatigadas.” Nesse verso, a palavra grifada se classifica como um advérbio de
   A – negação                                            D – modo                   
   B – dúvida           
   C – tempo                                               E – intensidade
   9. As palavras “pedra” e “caminho”, nesse texto de Drummond, são exemplos da seguinte figura literária:
   A – Metáfora                                                     D – sinestesia                          
   B – Metonímia         
   C – Pleonasmo                                                  E – Hipérbole
   10. Todas as afirmativas abaixo estão de acordo com esse poema de Drummond, EXCETO:
   A – O poema se constitui de versos livres.
   B – O poema é moderno.
   C – Esse poema é um soneto.
   D – Ignorou-se o uso de rima nesse poema.
   E – Ignorou-se o rigor da metrificação nesse poema.

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GAROTO LINHA DURA

Deu-se que o Pedrinho estava jogando bola no jardim e, ao emendar a bola de bico por cima do travessão, a dita foi de contra uma vidraça e despedaçou tudo. Pedrinho botou a bola debaixo do braço e sumiu até a hora do jantar, com medo de ser espinafrado pelo pai.
        Quando o pai chegou, perguntou à mãe quem quebrou o vidro e a mulher disse que foi o Pedrinho, mas que o menino estava com medo de ser castigado, razão pela qual ela temia que a criança não confessasse o seu crime.
        O pai chamou Pedrinho e perguntou: - Quem quebrou o vidro, meu filho?
        Pedrinho balançou a cabeça e respondeu que não tinha a mínima ideia. O pai achou que o menino estava ainda sob o impacto do nervosismo e resolveu deixar para depois.
        Na hora em que o jantar ia para mesa, o pai tentou de novo: - Pedrinho, quem foi que quebrou a vidraça, meu filho? – e, ante a negativa reiterada do filho, apelou: - Meu filhinho, pode dizer quem foi que eu prometo não castigar você.
        Diante disso, Pedrinho, com a maior cara-de-pau, pigarreou e lascou:
        --- Quem quebrou foi o garoto do vizinho.
        --- Você tem certeza?
        --- Juro.
        Aí o pai se queimou e disse que, acabado o jantar, os dois iriam ao vizinho esclarecer tudo. Pedrinho concordou que era a melhor solução e jantou sem dar a menor mostra de remorso. Apenas – quando o pai fez ameaça – Pedrinho pensou um pouquinho e depois concordou.
        Terminado o jantar o pai pegou o filho pela mão e – já chateadíssimo – rumou para a casa do vizinho. Foi aí que Pedrinho provou que tinha ideias revolucionárias. Virou-se para o pai e aconselhou:
        --- Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado. Não pergunte nada a ele não. Quando ele vier atender a porta, o senhor vai logo tacando a mão nele.

               Stanislaw Ponte Preta. Garoto linha dura. Rio de Janeiro:
                                                                           Editora do autor, 1964.

1 – Em que lugar Pedrinho estava jogando bola?
     No jardim de sua casa.

2 – Em que momento do jogo a bola atingiu a vidraça?
     Quando ele a emendou por cima do travessão.

3 – Como o menino ficou ao perceber o estrago que a bola fizera?
     Temeroso.

4 – Como o pai tomou conhecimento da vidraça quebrada?
     Ele próprio viu ao chegar em casa.

5 – A mãe receava que Pedrinho não contasse a verdade. Por quê?
     Porque o menino estava com medo de ser castigado.

6 – Diante da resposta negativa do menino, o pai mostrou-se bastante compreensivo. Retire do texto uma frase que comprove essa afirmação.
     “O pai achou o que o menino ainda estava sob o impacto do nervosismo e resolveu deixar para depois”.

7 – Na hora em que o jantar está sendo servido, há uma segunda tentativa, mas o menino continua a negar. Qual o recurso de que se serve o pai, então, para que Pedrinho conte a verdade?
     Ele prometeu não castigar o menino.

8 – Quem foi que Pedrinho apontou como autor do crime?
     Ele apontou o garoto do vizinho.

9 – Diante da segunda mentira do filho, o pai ficou nervoso. Retire do texto uma frase que tenha o mesmo sentido da afirmação acima.
     “Aí o pai se queimou...”

10 – Em sua opinião, agiu corretamente o pai ao dizer que “os dois iriam ao vizinho esclarecer tudo”? Por quê?
     Resposta pessoal do aluno.

11 – Há um momento da conversa entre pai e filho em que o menino demonstra certa hesitação. Cite a frase do texto que comprova essa afirmação.
     “Apenas – quando o pai fez ameaça – Pedrinho pensou um pouquinho...”

12 – Em sua opinião, o que o garoto pretendia na última fala do texto?
     Resposta pessoal do aluno.

13 – O texto pode ser dividido em quatro partes:
        Indique onde começa e termina cada uma das partes do texto:
Primeira parte: Pedrinho quebra a vidraça e foge.
     “Deu-se que o Pedrinho estava jogando bola...”
     “... com medo de ser espinafrado pelo pai”.

Segunda parte: O pai toma conhecimento do fato e pergunta a Pedrinho, mas este nega.
     “Quando o pai chegou...”
     “... e resolveu deixar para depois”.

Terceira parte: Durante o jantar, Pedrinho acusa o garoto do vizinho.
     “Na hora em que o jantar ia para mesa...”
     “... e depois concordou”.

Quarta parte: Pai e filho dirigem-se à casa do vizinho.
     “Termina o jantar...”
     “... o senhor vai logo tocando a mão nele”.
 
 O MELHOR AMIGO

        A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo, deu uma corridinha em direção de seu quarto.
        --- Meu filho? – gritou ela.
        --- O que é – respondeu, com ar mais natural que lhe foi possível.
        --- Que é que você está carregando aí?
        Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido, tentou ainda ganhar tempo:
        --- Eu? Nada...
        --- Está sim. Você entrou carregando uma coisa.
        Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar – o jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:
        --- Olha aí, mamãe: é um filhote...
        Seus olhos súplices aguardavam a decisão.
        --- Um filhote? Onde é que você arranjou isso?
        --- Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?
        Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso. Insistiu ainda:
        --- Deve estar com fome, olha só a carinha que ele faz.
        --- Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!
        --- Ah, mamãe... – já compondo uma cara de choro.
        --- Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.
        O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado: a gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado desta maneira!
        --- Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – gritou, lá do quarto, e ficou esperando a reação da mãe.
        --- Dez minutos – repetiu ela, com firmeza.
        --- Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.
        --- Você não é todo mundo.
        --- Também, de hoje em diante, eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não faço mais nada.
        --- Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a sua costura.
        --- A senhora é ruim mesmo, não tem coração.
        --- Sua alma, sua palma.
        Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois... Ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:
        --- Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.
        --- Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: - Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nesta vida.
        --- E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe?
        --- Mãe não é cachorro não é a mesma coisa.
        --- Deixa de conversa: obedece sua mãe.
        Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa toda...
        Meia hora depois, o menino voltava da rua, radiante:
        --- Pronto, mamãe!
        E lhe exibia uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido o seu melhor amigo por trinta dinheiros.
        --- Eu devia ter pedido cinquenta, tenho certeza de que ele dava – murmurou, pensativo.

             Fernando Sabino. “O melhor amigo”. In: Fernando Sabino;
                    Obra reunida. 3. v. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996.

1 – Quando o menino chegou em casa, o que a mãe estava fazendo?
     Sua mãe estava costurando.

2 – O menino tentou entrar em casa sem que a mãe percebesse. Escreva a frase que justifica essa afirmação.
     “O menino (...) arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância”.

3 – Por que o menino julgou que a mãe não tivesse visto o que ele carregava?
     Porque a mãe não se voltou para vê-lo.

4 – O que o menino procurou fazer quando percebeu que a mãe já descobrira tudo?
     Tentou comovê-la.
5 – Na frase “... Onde é que você arranjou isso”? a palavra em destaque traduz que tipo de sentimento?
     Desprezo.

6 – O que revela o fato de o menino tentar enxugar uma lágrima que não havia?
     Revela que estava tentando sensibilizar a mãe pelo choro.

7 – Diante da contínua negação da mãe, quais os argumentos de que se serve o menino para convencê-la? Cite três frases ditas pelo menino.
     “Que diabo também, nesta casa tudo é proibido”; “Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho”; “Também, de hoje em diante, eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não faço mais nada”.

8 – Mas o menino não desistiu. Mesmo sabendo que a mãe não cederá, ele tenta um último argumento. Qual?
     “Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nesta vida”.

9 – O menino estava revoltado, porque a mãe não permitira que ele ficasse com o cachorrinho. Quando voltou da rua, estava contente porque vendera o cachorrinho. Como você explica essa mudança repentina do menino?
     Resposta pessoal do aluno.

10 – Quais são os personagens dessa história contada por Fernando Sabino?
     O menino, sua mãe.

11 – Numa narração, os fatos obedecem a uma ordem. Reescreva os fatos do texto de acordo com a disposição dada pelo autor.
     A ordem correta das frases é:

a)    O menino tenta chorar para convencer a mãe a deixa-lo ficar com o filhote.
Quarto.
b)    A mãe fica preocupada com o filho, pois este saiu revoltado.
Sétimo.
c)     O menino chega em casa com um cachorrinho nas mãos.
Primeiro.
d)    Diante da insistência da mãe, o menino resolve mostrar o filhote.
Terceiro.
e)    A mãe obriga o filho a levar o cachorro embora.
Sexto.
f)      O menino volta para casa contente porque vendera o cachorro.
Oitavo.
g)    O menino vai para o quarto, revoltado com tudo e com todos.
Quinto.
h)    A mãe percebe a presença do filho.
Segundo.

12 – O que esse texto significou para você?
     Resposta pessoal do aluno.
 O MÉDICO FANTASMA

Esta história tem sido contada de pai para filho na cidade de Belém do Pará. Tudo começou numa noite de lua cheia de um sábado de verão.
Dois garotos conversavam sentados na varanda da casa de um deles.
— Você acredita em fantasma? — perguntou o mais novo.
— Eu não! — disse o outro.
— Acredita sim! — insistiu o mais novo.
— Pode apostar que não — replicou o outro.
— Tudo bem. Aposto minha bola de futebol que você não tem coragem de entrar no cemitério à noite.
        — Ah, é? — disse o garoto que fora desafiado. Pois então vamos já para o cemitério, que eu vou provar minha coragem.
Assim, os dois garotos foram até a rua do cemitério. O portão estava fechado. O silêncio era profundo. Estava tão escuro... Eles começaram a sentir medo.
        Para ganhar a aposta, era preciso atravessar a rua e bater a mão no portão do cemitério. O garoto que tinha topado o desafio correu. Parou na frente do portão e começou a fazer careta para o amigo. Depois se encostou ao portão e tentou bater a mão nele. Foi quando percebeu que ela estava presa.
        — Socorro! Alguém me ajude! — ele gritou, desmaiando em seguida.
        Nisso apareceu um velhinho vindo do fundo do cemitério, abriu o portão e chamou o outro menino.
        — Seu amigo prendeu a manga da camisa no portão e desmaiou de medo. Coitadinho, pensou que algum fantasma o estivesse segurando.
        O garoto reparou que o velhinho era muito magro, quase transparente.
        — Obrigado. Como é que o senhor se chama?
        — Eu sou o médico daqui. Vou acordar seu amigo.
O velhinho passou a mão na cabeça do menino desmaiado e ele despertou na mesma hora.
        — Vão pra casa, meninos — ele disse. Já passou da hora de dormir.
        E foi assim que os meninos perceberam que tinham conhecido um fantasma e entenderam que não precisavam ter medo de fantasmas, pois esses, apesar de misteriosos, são do bem.

                                    Heloísa Prieto. “Lá vem história outra vez: contos do folclore mundial”. São
                                                    Paulo. Cia das letrinhas, 1997 (texto adaptado para fins didáticos).


INTERPRETANDO O TEXTO

1) Assinale a alternativa correta:
a) No início do texto, onde estavam os personagens?
( )Os garotos estavam na escola, brincando no recreio.
( )Os garotos estavam na porta do cemitério.
(X) Os garotos estavam sentados na varanda na casa de um deles.

b) Por que os meninos decidem ir ao cemitério?
( ) Para acompanhar um enterro.
(X) Devido a uma aposta que fizeram valendo uma bola de futebol.
( ) devido a uma aposta que fizeram valendo uma bola de basquete.

c) O que era necessário para ganhar a aposta?
(X) Atravessar a rua e bater a mão no portão do cemitério.
( ) Atravessar a rua e entrar no cemitério.
( ) Atravessar a rua e chamar pelos fantasmas pelo portão do cemitério.

d) Depois de se encostar no portão, o que aconteceu ao garoto?
( ) Sua mão ficou presa no portão, mas ele conseguiu se soltar rapidamente.
(X) Sua mão ficou presa, ele gritou e desmaiou em seguida.
( ) Sua mão ficou presa, ele ficou mudo e desmaiou em seguida.

2) O médico fantasma é uma história sobre medo, um “Conto de assombração”. Descreva o momento mais assustador da história.
     Foi quando a mão dele ficou presa no portão.

3) Você ficou com medo? Por quê?
     Resposta pessoal do aluno.

4) Como os meninos perceberam que o velhinho era um fantasma? 
     Quando ele passou a mão sobre a cabeça e o menino despertou na mesma hora.

5) Por que será que o desafio era ter que ir ao cemitério à noite? Você aceitaria este desafio? Por que?
     Resposta pessoal do aluno.

6) Você já passou por uma situação assustadora? Era um medo real ou imaginário? Conte aqui a sua história.
     Resposta pessoal do aluno.

 

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